Visitação Domiciliar – Durante a pandemia, beneficiárias e crianças interagem de forma remota com os visitadores

Com a chegada do novo coronavírus em Boa Vista, muitos serviços municipais precisaram de uma readequação. Um deles foi o Programa de Visitação Domiciliar, que teve as visitas de casa em casa suspensas e as atividades passaram a ser feitas de forma remota. Através de uma tela de celular, computador ou tablet, as beneficiárias e visitadores interagem, estimulando as crianças a desenvolverem habilidades cognitivas e motoras.

O foco do programa é o acompanhamento de crianças da gestação aos três anos de idade, através dos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS). Hoje são mais de 1.800 beneficiárias atendidas pelo programa e mais 700 através dos grupos de famílias que também estão ocorrendo de forma virtual.

O acompanhamento é feito a cada 15 dias . Além de conversas e muito apoio, elas orientam os pais a utilizarem o que tem em casa para estimular os filhos, em especial, materiais recicláveis, itens domésticos, lúdicos, livrinhos infantis dentre outros.

“ Nesse um ano de pandemia sempre demos assistência a todas as beneficiárias. Muitas delas estão passando por situações difíceis, perderam alguma pessoa para a doença. É gratificante podermos ajudar de todas as formas, não só com as atividades do programa mas também levando os demais atendimentos dos CRAS, articulando com outros serviços de proteção, principalmente nesse período difícil que estamos vivendo”, disse Renata Alves, supervisora do programa no Cras Nova Cidade.

A missão das visitadoras é promover a participação de todas as beneficiárias. Elas fazem vídeos explicativos e enviam para as mães reproduzirem a atividade com as crianças. Para Mara Marques, visitadora social, este formato de atendimento está sendo produtivo. “Na primeira semana do mês, elas respondem algumas perguntas. Como são 15 dias que elas têm para entregarem o vídeo, pedimos para fazerem no horário mais conveniente, a noite, final de semana. Elas são bem participativas”, disse.

A dona de casa, Jovecilda Nascimento, mãe do pequeno John Wendrew, recebe o atendimento desde os seis meses de gestação através do Cras Nova Cidade. O menino, agora com dois anos de idade, supera seus irmãos mais velhos na energia, criatividade e diversas habilidades cognitivas. A mãe associa o seu rápido desenvolvimento aos estímulos feitos por meio do programa.

“ John é muito esperto para a idade, quando a gente fala ele já está agindo. Lembro que o Pérola foi um dos primeiros bairros a ser contemplado. Chegou na minha vida numa fase muito difícil, e me ensinou a amar ele desde o ventre. Eu imaginei que o programa era só até a gestação, mas não, já vai fazer 3 anos. Agora na pandemia, a visitadora se preocupa não só com ele mas com toda a nossa família”, declarou.

Programa de Visitação aplica a metodologia jamaicana de desenvolvimento parental

A metodologia Reach Up and Learn, aplicada na Jamaica há 25 anos, chegou a Boa Vista em 2017. Os visitadores aplicam com as famílias, técnicas de fortalecimento parental e desenvolvimento infantil. As crianças são estimuladas a desenvolver habilidades cognitivas e motoras e os pais a fortalecer o vínculo com os filhos. É uma brincadeira com intencionalidade.

Boa Vista foi a primeira cidade brasileira a desenvolver a metodologia, hoje aplicada com 2,5 mil beneficiárias, do programa de visitação e dos grupos de famílias. Todo esse trabalho é acompanhado de perto pela USP, que fez de Boa Vista um campo de pesquisa. O resultado futuramente dirá quais os impactos positivos na vida das crianças assistidas.

Na Jamaica, após 20 anos da implantação da metodologia, os estudos mostraram que crianças que participaram do programa, quando adultas, tiveram melhor desempenho escolar, mostraram-se mais felizes, revelaram ter QI mais alto, melhor saúde mental e comportamento menos violento. Também alcançaram uma renda melhor do que aqueles que não se beneficiaram do programa na infância.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.